A Fundição do Bolhão por sua vez foi uma das mais importantes fundições do Século XIX, fundada em 1847.
Joaquim Ribeiro Faria Guimarães (1807-1879) um importante empresário oitocentista da cidade, era o proprietário e geria a célebre Fundição do Bolhão, que tinha as suas instalações junto ao mercado do mesmo nome e tinha sido fundada pelo seu pai, Joaquim António da Silva Guimarães.
Criou, em 1857, a Fábrica de Lanifícios do Lordelo e era ainda proprietário de uma tipografia onde se fazia a impressão de vários periódicos (O Athleta, A Coallisão e O Nacional), tendo desempenhado cargos de presidência em várias instituições oficiais e parlamentares. Foi vice-presidente da Câmara Municipal do Porto.
Os seus biógrafos dizem que foi um grande benemérito da cidade. Sabe-se que incluiu a comissão de cidadãos portuenses que, em 1854, pugnou pela instalação do Asilo de Mendicidade na antiga Praça da Alegria e, nessa qualidade, ofereceu gratuitamente todos os tubos de ferro que foram necessários para encanar a água desde a fonte da Rua das Fontainhas até aquele Asilo.
Faria Guimarães conjuntamente com Vitorino Damásio como director técnico da fundição introduziram a indústria do fabrico da louça de ferro fundido esmaltada e estanhada a banho, na Fundição do Bolhão.
Em 1849, Vitorino Damásio encabeçou um movimento de que fazia parte também Faria Guimarães que levou à criação da Associação Industrial Portuense, hoje Associação Empresarial de Portugal, da qual foi, mais tarde, o seu terceiro presidente.
Por sua vez entre 1852 e 1854, Faria Guimarães seria o primeiro presidente da Associação Industrial Portuense”.
Com a devida vénia a Francisco Queiroz in Subsídios Para a História das Fábricas de Fundição do Porto do Séc. XIX
In Relatório do Inquérito Industrial de 1881
Vitorino Damásio viria a ser o fundador das Escolas Industriais de Lisboa e no Porto.
Devido à simpatia de que desfrutava junto do Duque de Saldanha, Vitorino começa a passar longas temporadas em Lisboa, em missões governamentais e na direcção da Escola Industrial da capital.
Em 1865 a Fundição do Bolhão é já propriedade de Costa Basto & Irmão e passará em 1880 a Costa Basto & Cª.
Desde 1871 a fábrica passa a ser dirigida por João de Sousa Soares, antigo funcionário da fundição do Ouro.
Em 1881 a fábrica tinha máquinas obsoletas e não conseguia produzir peças de louça de qualidade. Tinha ainda instalações de serração de madeiras e fabrico de tubos de chumbo.
Entre 1890 e 1920 a fábrica vai ter grande sucesso no fabrico de portões de luxo e gradeamentos.
Por curiosidade se aponta que todo o gradeamento exterior e dos jardins interiores do Hospital Conde de Ferreira, bem como os seus inúmeros portões, foram executados pela fundição do Bolhão.
O mercado do Bolhão, vista aérea de c. 1930
Na foto acima em frente à entrada Norte do mercado do Bolhão (no canto superior direito) vê-se o terreno fruto da demolição da Estamparia do Bolhão e à esquerda o edifício da Fundição do Bolhão, que seria demolido para dar lugar ao troço da Rua de Sá da Bandeira entre a Rua de Fernandes Tomás e a Rua de Gonçalo Cristovão, e ao Palácio do Comércio.
Retirado do Blog Porto de Antanho